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E no fim, eles voltam a ser filhotes.
Domingo, 20 de setembro. Experiências novas na minha vida. Não vou dizer que foi uma experiência boa ou ruim, por que tiramos lições de todas elas. E a lição que eu aprendi hoje é de que cães, quando morrem, voltam a ser filhotes.
Desde pequeno, eu aprendi a acreditar que existe um céu pra cada tipo de animalzinho. Um céu de chinchilas, um céu de gatinhos, um céu de cãezinhos. E nesse céu tão especial, todos esses bichinhos correm, pulam e brincam. Não tem “preocupações”. E hoje, eu tenho certeza de que, esses bichinhos, assim que chegam no céu, voltam a ser filhotes.
Filhotes são a forma mais pura e mais inocente. Refletem a maior sinceridade na forma de demonstrar amor e amizade. Fazem companhia, brincam, são peraltas. E por mais estripolias que façam, não tem como ficar bravos com eles. Cãezinhos são companheiros até o fim. Quando todos os seus amigos tiverem ido embora, o cachorro vai estar lá, do seu lado, pra te confortar. Quando o dia tiver virado noite e você tiver medo do escuro, ele vai deitar a cabeça no seu colo e te envolver numa sensação de paz que só você sabe como é. E, se no fim, o dono partir antes do seu cachorro, tenha certeza de que ele vai estar lá. Como sempre esteve. Onde ele gostava de estar e onde ele desejou ficar até o fim.
E, se o cachorro parte antes do seu dono, deixando saudades e aquela dorzinha no peito, saiba que lá em cima, ele vai estar olhando pra você. Ele vai deitar junto com você e, do jeito dele, demonstrar carinho e conforto. Vai voltar a ser filhote, pra expressar a forma mais pura de amor e dedicação. Vai voltar a ser uma bolinha de pêlos dependente do seu afeto e carinho.
E é por isso que eu digo que, depois de chorar todas as dores pela perda do seu amigo, você tem que voltar e pensar no filhote. E pensar nele com todo o carinho que você pensava enquanto ele te fazia companhia, enquanto ele mordia suas meias e babava nos seus móveis.
Pensar nele da mesma forma em que ele sempre pensou em você: como o mais fiel dos companheiros.
Texto dedicado à Danka, labrador da Lilian que, infelizmente, nos deixou hoje.
